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Praticar exercícios físicos no inverno pode aumentar em até 30% a queima de calorias

No inverno, as baixas temperaturas desencorajam algumas pessoas a praticar atividades físicas. Mas é justamente nessa época do ano que a prática pode trazer mais vantagens, de acordo com Luis Carlos Oliveira, pesquisador do Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul), órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde. Segundo o especialista, fazer exercícios no frio pode aumentar em até 30% a queima de calorias.

O corpo queima mais calorias e intensifica seu metabolismo para manter-se aquecido e aumentar a sensação de calor no clima mais frio. Essas mudanças fisiológicas potencializam os exercícios e aumentam os efeitos das atividades físicas no organismo.

A prática de exercícios também é importante para compensar a maior ingestão de calorias nessa época do ano, já que no frio as pessoas sentem mais fome e tendem a comer alimentos mais calóricos.

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Olhos podem dar sinais de estresse e cansaço

Foto: Ana Cotta
A correria do dia a dia, a falta de tempo e preocupações são alguns dos motivos que levam muitas pessoas ao estresse. O cansaço corporal e mental pode ser percebido também por sintomas físicos, que se manifestam de maneiras diferentes. Sinais que mostram que está na hora de ir mais devagar, como, por exemplo, o tremor nas pálpebras, movimentos involuntários, que podem ocorrer por dias ou em curtos intervalos. O que poucas pessoas sabem é que este tremor pode ser um alerta, de que o corpo esteja no auge do cansaço ou estresse.

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A oftalmologista do HCO, Roberta Abdulmassih, explica que está é uma reação do corpo indicando que algo está errado. “Esses tremores são chamados de Blefaroespasmo ou trismo palpebral. Um alerta do corpo informando que algo não está bem”, afirma Roberta.

A médica explica que estas contrações, quando relacionadas ao estresse, ocorrem porque nosso corpo libera hormônios específicos que atuam nas teminações nervosas destes músculos, provocando estímulos que fazem com que as pálpebras sofram contrações involuntárias. Mas a oftalmologista alerta: “é preciso consultar um oftalmologista e observar cada caso, porque o espasmo palpebral (tremor nas pálpebras) também pode acompanhar doenças oculares como: ceratite, uveite, síndrome do olho seco, blefarite e até mesmo uso de óculos com correção inadequada. Em casos mais extremos, estes tremores podem ter causas mais graves como distúrbios neurológicos”, ressalta Roberta Abdulmassih.

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Pacientes com câncer devem ter cuidados especiais no inverno

Com a chegada do inverno, os pacientes que estão em tratamento oncológico devem ter atenção especial à saúde. O alerta é do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), unidade ligada à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da USP.

Os medicamentos quimioterápicos costumam acentuar a sensibilidade ao frio, provocando nos pacientes a sensação de formigamento ou de choque, principalmente nas mãos e nos pés.

Para aliviar estes sintomas, é importante manter-se agasalhado e reforçar a proteção das extremidades com o uso de luvas, gorros, tocas de lã e meias grossas. O consumo de chás e outras bebidas quentes também ajuda a manter a temperatura do corpo.

A medicação também provoca queda na imunidade, aumentando o risco de infecções respiratórias como resfriados e sinusites. Para prevenção, é essencial lavar bem as mãos com água e sabão, diversas vezes ao dia, além de evitar ambientes fechados e climatizados. Os pacientes que estão internados não devem receber visitantes que estejam com os sintomas da gripe.

Durante o inverno, a pele fica menos exposta, mas não está totalmente protegida dos raios solares. “O uso de filtro solar (FPS 15, no mínimo) não deve ser dispensado nem no tempo frio”, explica a oncologista clínica do Icesp, Maria Del Pilar Esteves Diz.

Outras recomendações simples, mas importantes, são o consumo de alimentos frescos – de procedência confiável – e hidratação regular com ingestão de água e outros líquidos.

Quem for viajar viajar deve continuar seguindo todas as recomendações médicas e, principalmente, não se esquecer de levar todos os remédios prescritos pelo especialista. “Mesmo fora de casa, o tratamento não pode ser interrompido sem que haja indicação clínica”, reforça Pilar.

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Médica alerta para benefícios do parto normal

A obstetra Rachel Reis, especialista em parto humanizado, alerta para os benefícios que a escolha traz para a mãe e o bebê. A entrevista foi concedida à TV Brasil.



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Mulheres são mais infectadas por doenças sexualmente transmissíveis

Em entrevista à TV Brasil, médico afirma que por questões anatômicas as mulheres são infectadas mais facilmente por doenças sexualmente transmissíveis. Veja o vídeo:



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Amputações por acidente de trânsito dobram em SP

80% dos casos são de acidentes
envolvendo motos (Foto: André Gustavo Stumpf)
Levantamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, maior complexo hospitalar da América Latina, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, aponta que o número de amputados em seu Instituto de Ortopedia e Traumatologia em decorrência de acidentes de trânsito teve aumento de 100% em 2011, quando foram registrados 13 casos, para 2012, em que houve 26 casos.

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Segundo o ortopedista e coordenador do grupo de trauma do instituto, Kodi Kojima, a maioria destes casos acontece nos membros inferiores e 80% são causados por motos.  

Ainda segundo o levantamento, dos esmagamentos de membros, cerca de 80% são passiveis de reconstrução, 10% sofrem amputação imediata (no local do acidente), e nos outros 10% há uma tentativa inicial de preservação dos membros, mas eles acabam sendo amputados durante a hospitalização.

“Durante a internação, esses pacientes passam em média por três procedimentos cirúrgicos, e nos dois anos subsequentes, 60% necessitam de reinternação e mais cirurgias”, diz Kodi. Das vítimas, 40% voltam a ter um nível funcional bom e 30%, muito ruim.

Para Kojima, além dos problemas físicos, há os psicossociais. “Esses indivíduos podem passar por um ou mais do que se chama os ‘4Ds’ do amputado: divorciado, deprimido, desempregado e desmoralizado”, explica.

Mulheres, idosos, fumantes, e pessoas com doenças prévias podem ter maior probabilidade de apresentar complicações neste tipo de trauma. “Além do impactos físicos e psicossociais causados, o custo de amputar um membro ao longo da vida pode chegar a R$ 500 mil, entre próteses, retornos médicos e reabilitação”, conclui o especialista.

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Veja dicas para se prevenir da pneumonia

Com o frio mais intenso, aumenta a preocupação com doenças respiratórias. Hoje cedo aqui no Sempre Bem demos algumas dicas para evitar o aparecimento de doenças típicas do frio. Agora vamos ver uma reportagem da TV Brasil que mostra como se prevenir de outra doença muito comum nesta época e também bastante grave: a pneumonia!



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Queda na temperatura exige cuidados com a saúde

Medidas simples como ingerir bebidas quentes ao longo do dia, evitar banhos muito quentes e manter mantas e cobertores bem limpos ajudam a evitar o aparecimento de doenças típicas do frio.

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Veja as orientações da Secretaria de Estado da Saúde para evitar que alergias, resfriados, asma e gripes se intensifiquem com a queda na temperatura:

- O clima em casa, no trabalho e outros locais fechados costuma ser mais quente e ao sair destes ambientes, a brusca queda de temperatura pode facilitar a ocorrência de doenças. Agasalhe-se antes de sair.

- Chá, café, chocolate quente e outras bebidas quentes consumidas com moderação ajudam a manter o corpo aquecido.

- Mantenha a casa sempre limpa e livre de poeira. O acúmulo contribui para a piora de alergias e outras doenças respiratórias.

- Banhos com água muito quente provocam ressecamento da pele. Evite-os.

- Evite exposição prolongada a ambientes com ar condicionado quente ou frio.

- Os alérgicos devem substituir cobertores que soltam pelos por mantas de tecido sintético ou de algodão.

- Lavar e secar ao sol as mantas, cobertores e blusas de lã guardadas há muito tempo no armário ajuda a amenizar os sintomas de alergias e outras doenças respiratórias.

- Mesmo com frio, não deixe de aplicar o protetor solar.

- Atenção com as brincadeiras das crianças na cozinha. Líquidos e panelas quentes causam graves acidentes. Em caso de queimadura, procure o médico imediatamente.

[Imprensa Saúde SP]

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"Quem come errado sabe o que está fazendo”, aponta a pesquisadora

Consumo de comida congelada, pronta ou de preparo mais rápido predomina na hora de jantar (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)
Pessoas que utilizam restaurantes por quilo para realizar refeições fora de casa sabem quais alimentos são saudáveis e quais não são. A maioria escolhe o que coloca no prato segundo os critérios de saúde. O grande problema é aquilo que se come à noite, durante o jantar: geralmente alimentos com maior teor de gordura e calorias, como alimentos congelados ou de preparo mais rápido.

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Os dados são da pesquisa Nutrir-se ou comer: diálogos e dilemas no cotidiano de clientes e de nutricionistas em restaurantes de refeição por peso, realizada pela nutricionista Odete Santelle, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, sob a orientação do professor Fernando Lefevre.

A pesquisadora entrevistou 60 clientes de dois restaurantes: um localizado dentro da Cidade Universitária, em São Paulo, e o outro na região do Campo Limpo, região sul da capital, com o objetivo de saber quais fatores influenciavam a escolha dos alimentos que os clientes colocavam no prato. “Em ambos os restaurantes o fator saúde foi apontado por 43% dos clientes, o fator sabor por 26% e o equilíbrio entre sabor e saúde, por 31%. Quem come errado sabe o que está fazendo”, aponta a pesquisadora.

Clientes
De acordo com Odete, os entrevistados apontaram como exemplos de alimentos ligados à saúde: as folhas verdes, os legumes, os grelhados e o arroz integral. Já um alimento associado com sabor foi a batata frita.

Ao serem questionados sobre o que mudariam na alimentação, a maioria dos entrevistados disse que seria aquilo que comem durante o jantar, principalmente alimentos como fast-food, frituras, croissants, pizza, pão de queijo, etc. Portanto, o grande problema é o jantar, devido ao consumo de alimentos congelados, comida pronta ou de preparo mais rápido, geralmente mais calóricos e com maior teor de gordura. No almoço, nos restaurantes por quilo, a opção dos clientes é por alimentos mais saudáveis.

Os entrevistados disseram que os fatores limitadores que levam à escolha desse tipo de alimento para o jantar são a falta de tempo para cozinhar, a falta de habilidade culinária, pelo fato de os congelados serem mais práticos e de rápida preparação, e pela dificuldade em guardar a comida fresca (não poder armazenar na geladeira por muito tempo). “As pessoas que moram em grandes cidades, como São Paulo, saem do trabalho e muitas vão para cursos e nem sempre conseguem chegar em casa em tempo hábil para prepararem uma refeição saudável”, diz.

Quando questionados sobre o que mudariam na alimentação, pensando na saúde, os entrevistados disseram comer menos pães, massas e doces à noite.

Nutricionistas
A pesquisadora também entrevistou as nutricionistas que atuavam nos dois restaurantes. Odete relata que essas profissionais vivenciam uma situação em que precisam equilibrar o compromisso ético profissional com as metas de vendas. Então, essas profissionais buscam oferecer arroz branco e o integral, frutas e doces nas sobremesas, sucos naturais e refrigerantes como bebidas, e os clientes decidem o que escolher.

“Oferecer apenas alimentos saudáveis não é possível. Mas as nutricionistas sabem que a demanda por arroz integral é menor, então fazem de um modo para que não haja desperdício de alimentos”, conta. Outra estratégia relatada pelas profissionais é diminuir a quantidade de sal e gordura utilizada na preparação dos alimentos.

Alternativa
Odete acredita que as pessoas não comem errado por opção, mas por uma série de dificuldades que atrapalham a adoção de uma rotina alimentar mais saudável. “Por isso, o profissional de nutrição deve entender o dia a dia dos clientes a fim de identificar quais as dificuldades da pessoa. E, a partir disso, fazer uma proposta de educação e saúde alimentar que seja adequada a cada realidade.”

Já nos restaurantes, uma alternativa seria o oferecimento de um “cantinho saudável”, sem que isso afete as finanças do restaurantes.

Da Agência USP

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Levantamento mostra que um em cada cinco adolescentes interrompe tratamento contra a Aids

Um levantamento feito pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência no tratamento de HIV/aids, mostrou que um em cada cinco dos adolescentes com aids acompanhados pelo hospital abandonou o tratamento no ano passado. Foram avaliados 581 adolescentes, de 12 a 17 anos, dos quais 131 estão há pelo menos seis meses sem ir ao médico ou sem voltar ao consultório para nova avaliação. Dos jovens avaliados, 71 são do sexo masculino e 60, do feminino. A maioria foi infectada pela mãe durante o parto (transmissão vertical).

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De acordo com o infectologista Jean Gorinchteyn, do Emílio Ribas, durante o período de observação, os jovens em tratamento deveriam ter comparecido a pelo menos duas consultas, nas quais sua saúde seria avaliada e o receituário fornecido, para que os medicamentos fossem retirados gratuitamente na própria farmácia do instituto.

“As avaliações clínicas devem ser feitas a cada três meses. Se ele não vem para a consulta, não recebe a receita e não retira o remédio. Portanto, está interrompendo o tratamento. Normalmente, são administradas de três a cinco drogas antirretrovirais, algumas combinadas, mas este número pode ser reduzido a um comprimido só, favorecendo muito a adesão”, explicou o médico.

Gorinchteyn ressaltou que, uma vez iniciado o tratamento, ele jamais pode ser interrompido, e os horários têm de ser seguidos com rigor. Segundo ele, a interrupção do tratamento pode tornar o vírus resistente à medicação, ou seja, "o vírus deixa de ser sensível ao remédio e o organismo não responde ao tratamento”.

O infectologista informou que o Emílio Ribas tem uma estratégia para buscar os pacientes, caso deixem de comparecer aos retornos médicos. A convocação é sempre direta, por telefone ou por telegrama. É preciso avaliar que, apesar de serem menores de idade, que teoricamente teriam um adulto responsável por eles, a maioria desses adolescentes contraiu o HIV por transmissão vertical, na gestação da mãe contaminada.

“Isso quer dizer que muitas das mães estão doentes, ou já não estão mais vivas para cuidar dessas crianças. São jovens que podem estar sob cuidados de tutores ou responsáveis que, eventualmente, desconhecem o não comparecimento deles ao ambulatório. Muitas vezes, quando esses responsáveis foram questionados disseram acreditar que as crianças iam às consultas.”

Para Gorinchteyn, a interrupção do tratamento pode ocorrer pelo fato de jovens dessa faixa etária terem dificuldade para encarar uma doença que precisa de acompanhamento constante e que já é tratada desde o nascimento. “Eles também recebem uma carga de preconceito, por estarem contaminados, mas sem ter a real culpa por isso. Assim, cria-se a dificuldade de aceitação da doença e das dificuldades de inserção social”, ressaltou o médico.

Assim, os jovens acabam abandonando o tratamento, como se isso pudesse negar a existência da aids, lamentou o médico. No entanto, disse ele, identificar esse tipo de abandono do jovem pelo cuidador não quer dizer exatamente que tenha havido negligência, mas que existe dificuldade do jovem com relação à doença e à necessidade de um tratamento regular, com regras e restrições, o que pode ser difícil para uma pessoa dessa faixa etária. Gorinchteyn destacou que nenhuma consulta é feita sem a presença de um maior de idade.

“O que queremos saber agora é quanto dessa não adesão deve-se à falta de responsabilidade do tutor e quanto se deve à falta de disponibilidade do próprio paciente. Temos de ter essa parceria muito mais clara com o responsável, que não pode se submeter ao desejo do paciente, que, muitas vezes, encontra desculpas para não comparecer às consultas", acrescentou o médico. Para ele, é preciso "afinar o comportamento do cuidador" quanto a essa pressão do paciente.

De acordo com o infectologista destacou que é preciso acolher psicologicamente essas crianças e adolescentes e não se deixar levar pelas desculpas da criança e levar em conta que sendo tutor é preciso assumir a responsabilidade do tratamento do menor de idade. Gorinchteyn chamou a atenção ainda para o fato de que uma vez que o jovem não tem a preocupação em fazer o tratamento corretamente nada garante que ele vá ter relações sexuais com proteção, podendo então transmitir o vírus.

Da Agência Brasil

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Receita: Caldo de Milho

A temperatura caiu e esse friozinho combina com uma sopa deliciosa. Hoje aqui no blog vamos dar a dica de uma receita leve e muito saborosa, além de fácil de fazer: caldo de milho!

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Lembrando sempre que sopas e caldos são alimentos que ajudam a manter o peso no inverno. Com o tempo frio, o organismo gasta mais energia para manter a temperatura do corpo aquecida e o principal efeito disso é o consumo imediato de mais alimentos.

Para preparar a receita você vai precisar de:

2 latas de milho (equivalente a carca de 7 espigas de milho)
1 litro de água
1 cebola
2 dentes de alho
1 pitada de pimenta do reino (opcional)
2 tabletes de caldo de legumes
¹/² xícara (chá) de salsa e cebolinha picadas

Comece o preparo batendo no liquidificador 1¹/² lata de milho com ¹/² litro de água, a cebola, o alho e então reserve. Leve ao fogo o restante da água com o caldo de legumes e deixe ferver por 5 minutos mexendo de vez em quando para dissolver bem, junte o caldo reservado batido no liquidificador, na panela. Mexa bem sem parar. O caldo está pronto quando levantar fervura pode desligar o fogo e salpique com a salsinha e a cebolinha picada.

Bom apetite!

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"Não dá para sermos felizes com o que não temos", alerta psicólogo sobre gays que não se aceitam

O personagem Félix de Amor À Vida é um homossexual
casado com mulher e busca satisfação sexual fora do casamento
(Foto: Divulgação/Rede Globo)
O personagem Félix da novela Amor À Vida da Rede Globo conquistou muitos fãs em pouco tempo. É possível ver suas frases irônicas e jargões repetidos em redes sociais e até em rodas de conversas. Félix vive um casamento de mentira com uma mulher, apenas para manter a aparência. No horário de exibição da novela e sempre que aparece na tela, o personagem é um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Tem até páginas dedicadas a ele no Facebook e perfis com o nome do personagem no Twitter.

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Assim como Félix, muitas pessoas estão na mesma condição: casadas, com filhos e, em alguns casos, buscando a satisfação do seu desejo fora do relacionamento. Além disso, e que pode ser considerado ainda pior, vivem uma vida escondida sem muitas vezes nem buscar a realização de suas vontades. Tal situação pode trazer muitos problemas tanto na vida pessoal quanto na profissional. Também podem surgir doenças psicossomáticas, distúrbios físicos causados por fatores psicológicos e derivados de pensamentos, emoções não aceitas ou não simbolizadas, fazendo com que o corpo padeça de algo que a mente não dá conta.

O Sempre Bem conversou sobre este problema com Marcus Vinícius Corrêa, psicólogo da Secretaria Municipal de Educação de Araras, no interior de São Paulo. Ele falou sobre o reflexo dessa condição na vida pessoal e profissional e alerta: "Não dá para sermos felizes com o que não temos".

Sempre Bem: Um homossexual que não se assume e/ou não aceita a própria condição tem a qualidade de vida afetada de que forma?
Marcus Vinícius Corrêa: Vamos pensar que “não assumir” e “não aceitar” são duas coisas completamente diferentes do ponto de vista de qualquer interpretação teórica. Com isso, todo desejo reprimido, - sim, quando falamos sobre sexualidade, estamos falando de desejos -, pode nos adoecer, seja através dos efeitos somáticos (hormonais e imunitários) ou repercussões na mente. Não existe qualidade de vida para quem não se aceita homossexual, bissexual, etc. Só existe qualidade de vida quando nos aceitamos da maneira como somos, seja ela qual for a nossa condição.

SB: Como isso reflete na vida pessoal?
MVC: Toda essa não aceitação reflete na vida pessoal atrapalhando o planejamento futuro, como um namoro, uma troca de afeto e carinho. Muitas pessoas acabam escondendo-se em seus quartos, limitando seus amigos e em alguns casos não possuindo amigos para não ter que falar de sua sexualidade com ninguém. A privação da vida pessoal acarreta sempre em muito sofrimento. Atualmente com os meios sociais digitais as pessoas vêm buscando mais informações e muitas vezes levando essa homossexualidade apenas para o mundo virtual.

SB: E como se dá esse relacionamento no virtual?
MVC: Esse lugar virtual só é acessado com senha, diferente da vida pessoal. No mundo virtual, eu posso ser quem eu quiser, sem ter que me assumir. Amigos, namoros e amores virtuais na questão da homossexualidade vem sendo uma válvula de escape para quem quer reprimir seus sentimentos perante sua sexualidade e sua sociedade.

SB: Qual o reflexo disso na vida profissional?
MVC: A homossexualidade reflete sim na vida profissional das pessoas, tanto das que procuram por empregos quanto dos que contratam. Ouvimos muito por aí aquele estigma que gays são nossos cabeleireiros, bailarinos, maquiadores, estilistas, arquitetos, produtores de moda e tantas outras profissões marcadas por essa grande bobagem. Mas pensemos: não existe advogado gay? Psicólogos, prefeitos, médicos, gerente de grandes empresas? Sim, existe!

SB: Quais exemplos de profissionais?
Deputado Jean Willys é
homossexual assumido
(Foto: Divulgação)
MVC: O deputado Jean Willys (PSol); a apresentadora Ellen DeGeneres; o cantor Ricky Martin; jogador de basquete da NBA Jason Collins, o jornalista da CNN Anderson Cooper; a primeira-ministra da Islândia, Johanna Sigurdardottir. Mas essas profissões são menos vigiadas do que as citadas acima. No caso do reflexo na vida profissional, a própria sociedade insere seu valor, algumas profissões podem ser mais simples de se assumir, outras nem tanto. A sociedade aceita um cabeleireiro homossexual, mas torce o nariz para um médico homossexual.

SB: E como essa discriminação pode prejudicar?
MVC:  Essa discriminação social trava o profissional que não se assumiu no sentido de sair menos com os colegas de trabalho, ter aquela vida mais sigilosa do que os que contam suas aventuras sexuais do final de semana. Rudney Pereira Junior, consultor da empresa Foco, declarou: “Acredito que os homossexuais sofrem tanto preconceito na hora da contratação quanto os deficientes físicos, negros e mulheres. Algumas empresas ainda têm esquemas muito arcaicos de contratação”.

SB: Em alguns casos alguém nesta condição não pode ou não quer se assumir, apesar de aceitar a própria orientação sexual. Tentar driblar isso levando uma vida dupla é aconselhável?
MVC:  Se a pessoa aceita a própria condição é mais fácil ela lidar com o “não assumir”. Muitas vezes não precisamos dizer às pessoas o que somos ou o que não somos, muitas vezes está bem claro, mas nosso medo é tanto da descoberta que fantasiamos que ninguém sabe nada sobre nós.

SB: Quais os riscos neste caso?
MVC: O maior dos riscos da pessoa não se assumir muitas vezes é viver sempre pela metade. Em muitos casos o risco de se assumir é alto, como perder um emprego, mas se aceitar é algo interno como já disse. O mundo mudou e continua mudando e a aceitação hoje é bem maior do que há décadas atrás. A educação é algo fundamental para a diminuição do preconceito, mesmo sabendo que nunca será erradicado, pois faz parte da condição humana. Temos como exemplos os negros que há séculos vem lutando contra isso e ainda existe, e muito.

SB: Voltando um pouco ao exemplo da novela Amor À Vida, Como a não aceitação e/ou o não se assumir interferem na vida de um homossexual que leva um relacionamento estável (até mesmo casamento com filhos) com alguém de outro sexo? 
MVC: A não aceitação vai interferir singularmente na vida de cada uma das pessoas. Terá pessoas que conseguirá manter essa relação com o sexo oposto por quanto tempo for necessário. Outras, já não conseguem manter por assim dizer, ou as vezes nem iniciar uma relação com o sexo oposto. Não dá para medir o sofrimento, quando dói, dói e só nós sabemos disso. A gente não assume tantas coisas e mesmo assim levamos um relacionamento estável com nosso trabalho, amigos, família.

Para viver sempre bem é preciso
aceitar a própria condição
(Foto: Torsten Seiler)
SB: Diante deste cenário, como alguém nesta condição pode ser feliz?
MVC: Não dá para sermos felizes com o que não temos. Se eu não tenho minha própria aceitação eu não tenho qualidade de vida nenhuma perante a minha realidade, pois passo o tempo todo reprimindo toda minha realidade. Aceitar a homossexualidade não é se apresentar nas entrevistas de emprego e dizer: "Olá, Sou Gay!". Pelo contrário, aceitar é algo interno e não externo.

SB: Não se assumir como homossexual ou não se aceitar pode facilitar no desenvolvimento de alguma doença psicossomática ou até mesmo uma doença sexualmente transmissível (DST)?
MVC: Toda sujeira que empurramos para debaixo do tapete, vai chegar um dia que teremos que dar conta dela. Se não lidamos com alguma questão nossa, ela vai precisar de uma válvula de escape e aí que começamos a somatizar. Lembrando que a somatização pode ocorrer de várias formas: como um modo de expressar-se; indicando uma doença orgânica ainda não diagnosticada e também como parte de outras patologias psiquiátricas. Acredito que no caso das DSTs a questão é um pouco diferente, pois se existe uma conscientização por parte da pessoa, sendo ela assumida ou não, a tendência é a informação se manter, independente da sexualidade.

SB: Mas o fato de não se assumir, não se aceitar ou ainda tentar esconder a homossexualidade pode fazer com que alguém nesta condição se envolva e aceite condições que o exponham a riscos envolvendo DSTs, como sexo sem camisinha ou uso de drogas?
MVC: Acredito que o uso de drogas, como bebida alcoólica, lícitas, e outras drogas ilícitas podem sim ser uma porta de entrada na questão da sexualidade reprimida. Podemos utilizar as drogas como uma medida para não termos que acertar as contas com nosso sofrimento real, no caso aqui, a sexualidade. Sobre a questão do sexo sem camisinha, podemos pensar que se a pessoa estiver sob o efeito de alguma droga, sim, pode acontecer de não ser utilizada durante a relação sexual, como em qualquer outro caso, homossexual ou heterossexual. Mas corroboro aqui que sem o uso de drogas, uma pessoa que possui certo entendimento do uso do preservativo, não deixará de usar, seja qual for a relação sexual que exista.

SB: O que pode ser feito sanar o problema da não aceitação?
MVC: Prefiro pensar que sanar o problema é amenizar o sofrimento psíquico que a não aceitação da homossexualidade causa no ser humano. Pontuo a palavra “sanar” devido à aprovação na Comissão “Evangélica” de Direitos Humanos sobre a tal “Cura Gay” que acredito eu, não vem ao caso nesse momento. Falar para não adoecer é um entendimento da psicanálise criada por Freud em seus primórdios de 1882 e muito atual até os dias de hoje. Esse “problema” penso, o sofrimento gerado pela não aceitação, deve ser levado aos espaços psicoterapêuticos. Não existe e não vai existir uma chave de liga e desliga, “Homossexual / Heterossexual” ou uma medicação específica para este caso. Podemos encontrar profissionais de psicologia em convênios, clínicas particulares ou até mesmo em Clínica Escola onde Universidades disponibilizam gratuitamente atendimento com alunos, sempre supervisionados por seus professores.

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A dica é: parar de fantasiar

As blogueiras do portal R7 Lele Siedschlag e Rosana Hermann deram uma dica para internauta que está interessada no amigo. Ela afirma que o rapaz nunca demonstrou interesse claro além da amizade, mas ele é bem tímido e ela acredita que algumas atitudes dele parecem ser de quem quer algo. Porém tem medo de estar fantasiando que ele quer alguma coisa com ela.

Rosana afirma que a internauta deve "parar de fantasiar", além de dar outras dicas para quem quer encontrar um grande amor mas não consegue. Afinal, o amor ajuda todo mundo a ficar sempre bem e cada vez melhor. Mas nem sempre ele está onde procuramos e acontece quando menos esperamos.

E como diz a música: quando o amor acontece é difícil dizer não! Afinal, o amor e a troca de sentimentos são condições importantes para vivermos sempre muito bem! Veja o vídeo:

http://player.r7.com/video/i/51e5bfb20cf2b2e5fae20efe?layout=wide252p
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Receita: Caldo de Missoshiru

Como já vimos aqui no Sempre Bem, a sopa é um dos alimentos que ajudam a manter o peso no inverno. Com o tempo frio, o organismo gasta mais energia para manter a temperatura do corpo aquecida e o principal efeito disso é o consumo imediato de mais alimentos.

Para evitar o consumo de alimentos calóricos que podem fazer o peso de quem ingere aumentar, algumas orientações podem ajudar a evitar esses problemas, com adaptações das preparações mais consumidas no clima frio, como sopas, carnes, chás e fondues.

Assim, hoje vamos aprender a fazer o caldo de missoshiru ou sopa de missô. O prato é bastante consumido pelos japoneses e em sua versão mais comum é preparado com soja, hondashi, tofu e cebolinha, mas algumas vezes também leva outros legumes. O prato deve ser consumido quente e servido antes do prato principal.

Para preparar, você vai precisar de:

- 1 litro de água
-  2 colheres (sopa) de missô
- 1 xícara de cebolinha picadinha
- 1 xícara de chá de tofu

O preparo é bastante simples. Basta colocar a água em uma panela e levar para ferver. Quando levantar fervura, junte o missô, mexa e deixe ferver por 5 minutos. Após isso, basta mexer, juntar a cebolinha e o tofu, desligar o fogo e pronto.

Bom apetite!
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Programa reduz em 20% consumo de álcool entre adolescentes

Pesquisadores australianos conseguiram reduzir em 20% o consumo de álcool entre adolescentes por meio de um programa que busca conscientizar os jovens, de forma lúdica e sintonizada com a sua realidade, sobre os riscos associados ao excesso de bebida. A metodologia está sendo adaptada para as escolas brasileiras por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo Ana Regina Noto, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Saúde e Uso de Substâncias (Nepsis) do Departamento de Psicobiologia da Unifesp, a ideia de desenvolver a versão brasileira do School Health and Alcohol Harm Reduction Project (SHAHRP), implantado com sucesso na Austrália, surgiu após a conclusão de uma pesquisa de seu grupo, divulgada em 2010, que revelou índices alarmantes de consumo de álcool entre alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental.

De acordo com o levantamento, 40% dos 5.226 entrevistados de escolas privadas paulistanas haviam bebido no mês anterior ao questionário – sendo que 33% em um padrão considerado nocivo e conhecido como binge – quatro ou mais unidades de álcool para mulheres e cinco ou mais para homens em uma única ocasião.

“O que esse projeto tem de diferente é o fato de apostar na capacidade do adolescente de fazer escolhas mais seguras quando estimulado a isso. O programa incentiva o estudante a tirar suas próprias conclusões em vez de simplesmente tentar ensiná-lo a dizer ‘não’ como uma opção predefinida. Talvez por esse motivo, o SHAHRP apresenta melhores resultados quando comparado a muitos outros do gênero”, disse Noto.

Com base em evidências científicas, acrescentou Noto, o programa parte do pressuposto de que situações de uso de álcool entre adolescente ocorrem – muitas vezes com a anuência da família –, embora a venda de bebida para menores de 18 anos seja proibida por lei. “Por esse motivo, é preciso abrir espaço de conversa sobre essas situações”, disse.

“Pesquisas anteriores mostraram que as abordagens baseadas simplesmente em convencer o jovem a não beber eram falhas. Muitas vezes tinham até impacto negativo, causando aumento do consumo em vez de redução. Decidimos tentar algo diferente”, contou Nyanda McBride, pesquisadora do National Drug Research Institute, da Austrália, e uma das idealizadoras do SHAHRP.

Antes de desenvolver a metodologia, McBride entrevistou professores e especialistas em prevenção e conversou com os estudantes. O objetivo era conhecer onde, como e com quem eles costumavam ingerir álcool, bem como as situações de risco às quais estavam expostos.

“Se vocês nos disserem para não beber vamos simplesmente desligar nossos ouvidos, pois não é assim que queremos viver nossa vida, nos avisaram os jovens”, disse a pesquisadora australiana.

McBride então desenvolveu uma estratégia de intervenção para ser aplicada nas escolas dividida em duas fases. Na primeira, voltada para estudantes de 12 a 13 anos que começam a ter contato com álcool, eram realizadas oito sessões de uma hora cada. A segunda fase, aplicada um ano depois, contava com quatro sessões de uma hora.

Além de passar informações, a missão dos professores era ajudar os jovens, por meio de jogos e atividades interativas, a desenvolver suas próprias estratégias para reduzir os riscos associados ao consumo de álcool. A metodologia foi aplicada num grupo de aproximadamente 2,5 mil estudantes. Metade fazia parte do grupo controle e foi submetida a um programa regular de prevenção de drogas.

Posteriormente, os jovens foram acompanhados por 32 meses e foram avaliados seus conhecimentos e atitudes relacionados ao álcool, a quantidade total de bebida ingerida, o padrão de consumo e os danos que eles haviam sofrido.

O consumo total de álcool no grupo que recebeu a intervenção foi 20% menor quando comparado ao controle. Além disso, o consumo no padrão binge nesse grupo foi 19,5% menor. Os jovens apresentaram um conhecimento relacionado ao álcool 10% maior e vivenciaram 33% menos danos relacionados a questões sexuais, violência, problemas com a lei, a família ou a escola.

“Continuamos medindo um ano após o término do programa e observamos que o impacto comportamental havia se mantido. A metodologia foi replicada em escolas na Irlanda do Norte com resultados muito semelhantes. Uma das chaves principais é a inclusão das experiências reais dos jovens participantes. Nosso objetivo é tornar essas experiências mais seguras”, contou McBride.

Processo de adaptação

A adaptação do SHAHRP para a realidade brasileira está sendo feita durante o doutorado de Tatiana de Castro Amato, com Bolsa da FAPESP, e sob a orientação de Noto, que também conta com um Auxílio à Pesquisa – Regular.

“Temos feito entrevistas com adolescentes desde 2012 e também com professores e coordenadores pedagógicos para conhecer a percepção que tinham sobre o consumo de álcool, os problemas associados e também para tentar definir qual seria a carga horária ideal e o professor mais indicado para realizar as atividades em sala”, contou Noto.

Uma primeira versão brasileira do programa – dividida em oito sessões de uma hora cada – foi elaborada e está sendo aplicada de forma piloto em quatro escolas particulares, sendo três na capital e uma no interior. Outras quatro escolas estão participando como grupo controle.

“Nas primeiras sessões são oferecidas informações, mas com muito convite à reflexão. Da metade do programa em diante são apresentadas situações de risco e os adolescentes têm de elaborar estratégias para lidar com os problemas”, disse Noto.

A faixa etária de 12 a 13 anos foi escolhida porque estudos epidemiológicos brasileiros indicam que é nessa idade que ocorre o primeiro contato com o álcool. “O consumo nessa faixa ainda é baixo, mas há uma tendência natural de aumento com o avanço da idade. Esperamos que o grupo que recebe a intervenção apresente menor consumo após seis e 12 meses, quando comparado ao grupo de controle”, disse Noto.

De acordo com a pesquisadora, foram inicialmente selecionadas escolas particulares porque, de acordo com as evidências científicas, quanto maior é o poder aquisitivo do jovem, maior é o consumo de álcool.

“O programa tem sido bem recebido pelos estudantes e algumas escolas já pensam em incorporá-lo ao currículo definitivamente. Também temos um convite para fazer uma adaptação para as escolas públicas de Minas Gerais e, no futuro, vamos tentar aplicar em São Paulo para jovens de outros contextos”, contou.

Da Agência Fapesp

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Pesquisa relaciona obesidade infantil a tempo que as crianças permanecem na frente da TV

Pesquisa divulgada nesta semana pela Universidade de Coimbra indica que pode haver relação entre a obesidade infantil e o tempo em que as crianças assistem à televisão ou usam o aparelho de TV para brincar com jogos eletrônicos. Feita na década passada, a pesquisa ouviu 17.424 crianças de 3 a 11 anos e seus parentes em todas as regiões de Portugal.

O estudo mostra que, apesar de Portugal ter sistema integral de ensino, com as crianças passando a manhã e a tarde na escola, 28% de meninos e 26% de meninas assistem a mais de duas horas de televisão por dia. Nos fins de semana, a proporção sobe significativamente: 75% meninos e 74% meninas. O parâmetro de duas horas é sugerido pela Academia Americana de Pediatria.

Em Portugal, três de cada dez crianças (6 a 10 anos) são consideradas acima do peso e 14% são classificadas como obesas. De acordo com a coordenadora do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde, da Universidade de Coimbra, Cristina Padez, o problema do alto consumo da TV está relacionado ao comportamento sedentário. “Não é só a TV, é preciso observar a alimentação, o estilo de vida e a organização dos pais”, disse à Agência Brasil.

Dados divulgados pela Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (Apcoi), assinalam que 57% das crianças que vivem no país não caminham para ir à escola; 90% comem lanches tipo fast food quatro vezes por semana e apenas 2% consomem frutas todos os dias.

Segundo Cristina Padez, os indicadores de Portugal são semelhantes aos de outros países do Sul da Europa, como a Espanha, a Itália e a Grécia, e guardam semelhança com o que acontece no Brasil. "O mundo é globalizado. Há um conjunto de maneiras de viver semelhantes. Todos esses problemas são consequência do desenvolvimento econômico e social”, enfatizou Cristina.

A cientista social ressaltou ainda que a vida em grandes cidades, com poucos lugares para atividades de crianças ao ar livre, ou sob risco de violência, faz com que muito meninos e meninas passem horas vendo TV. As emissoras de televisão, com o avanço tecnológico e o interesse no consumo infantil, “tornaram-se mais apelativas” para as crianças, com programas e canais dirigidos ou acopladas ao jogo eletrônico.

“A indústria aproveita a situação. O problema é que nosso corpo não está adaptado e precisa ser mais ativo”, destaca Cristina Padez. Apesar das restrições, ela não recomenda que os pais proíbam os filhos de ver televisão, nem de fazer lanches rápidos. “Os pais devem cuidar da alimentação sem proibir; é importante haver regras.”

A obesidade infantil pode favorecer o aparecimento futuro de doenças como diabetes e hipertensão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,6 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da obesidade ou do sobrepeso. A OMS calcula que, em todo o mundo, mais de 1 bilhão de adultos estão acima do peso. Destes, 300 milhões (o equivalente à população dos Estados Unidos) são obesos.

Da Agência Brasil

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Retirada das mamas não é solução contra o câncer

Foto: Haroldo Abrantes/SECOM Governo da Bahia
A retirada da mama não é a indicação precisa e correta para se combater esse tipo de câncer e muito menos é 100% eficaz, informa o médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ e presidente da Sociedade de Mastologia do Rio de Janeiro, Afrânio Coelho de Oliveira, em entrevista sobre o “caso Angelina Jolie”. É com ele a segunda entrevista acerca desse tema. A primeira foi com o pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Sergio Koifman, falando dos fatores genéticos da doença. Agora, abordamos mais o lado humano sobre esse tipo de procedimento, desmistificando o fato de que a cirurgia é a indicação correta para se combater o câncer de mama.

Em uma conversa franca, Oliveira defende o procedimento apenas em casos de extrema necessidade e apenas como última alternativa de tratamento, quando as mulheres já passaram por uma série de exames e testes. O médico ressalta ainda que o Sistema Único de Saúde precisa "acordar" para oferecer acesso mais rápido e simples para as mulheres, algo que já vem mudando com a nova lei federal, que estabelece prazo máximo de 60 dias para que pessoas diagnosticadas com câncer iniciem o tratamento pelo SUS. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista com Oliveira.

Em entrevista realizada com o pesquisador Sergio Koifman, ele explicou que o caso da atriz Angelina Jolie ocorre em uma população muito reduzida, por conta dos genes BRCA 1 e 2, o que a levou à realização da mastectomia preventiva. Essa foi uma decisão exclusiva dela, correto?

Oliveira: Tem um artigo no jornal O Estado de S. Paulo, da antropóloga da USP Debora Diniz, chamado Mercado do medo, no qual a autora ressalta que o resultado positivo para alta probabilidade de câncer de mama transformou Angelina Jolie em cliente da mercadoria de risco. Ela faz uma reflexão sobre situações muito peculiares, de uma gama de interesses envolvidos, inclusive da própria mulher. Temos que entender que isso é uma atitude individualizada e contextualizar isso como tal. Cada mulher, cada situação clínica, cada situação de risco vai ter de ser individualizada. E isso que eu chamo de medicina individualizada passa por uma questão básica, que é o aconselhamento genético. E esse aconselhamento genético resulta na testagem, para que se possa chegar a uma situação de tomada de atitude, por exemplo.

Quando o resultado é positivo para a possibilidade de se ter um câncer, que atitude a mulher pode tomar?

Oliveira: Basicamente, você pode tomar quatro atitudes. Você pode não fazer nada, sabendo a situação de risco, ou pode ainda tentar prevenir a doença como, por exemplo, deixar de fumar, que previne câncer de pulmão. Ter filhos parece que previne câncer de mama. Amamentar parece que previne câncer de mama. Então, você pode tomar essa outra atitude de ter um filho e amamentar para prevenir.
A segunda opção, que chamamos de secundária, é aquela que a pessoa sabe que tem risco de desenvolver a doença e tem de ter mais atenção, indo a médicos, fazendo exames regularmente, fazendo mamografias. Isso é a prevenção secundária. Temos a chamada prevenção terciária, que é aquela que a mulheres sabem que têm mais risco de ter câncer de mama e podem tomar um determinado remédio que vai reduzir esse risco. Por fim, existe a prevenção cirúrgica, que podemos chamar de quaternária, em que vão ser tiradas as glândulas mamárias para se prevenir a doença. Tudo isso parte da premissa inicial da individualização.

Foto: Remy Steinegger
Então, podemos dizer que Angelina Jolie passou por essas quatro etapas?

Oliveira: Olhando especificamente para o caso da Angelina Jolie, ela preencheu todos os requisitos. Uma vez que já tem um pedigree familiar de alto risco, fez a testagem genética, fez a mutação genética e tomou a decisão individual de fazer a prevenção quaternária. Ela poderia tomar a atitude de prevenção terciária, fazendo exames regulares, mamografias, ressonâncias e detectado a doença o mais cedo possível. Eu penso que essa é uma situação muito válida, mas totalmente individual. A gente não pode exportar de forma literal para todas as mulheres essa atitude de retirada das mamas.

Mas tudo isso deve ser feito com excelente acompanhamento médico.

Oliveira: Exatamente. Existe um grande risco que é aquele quando não se tem uma orientação adequada, no qual uma mulher não vai ao mastologista, não tem um aconselhamento genético e uma testagem genética e acha que deve operar. Esse é o "mercado do medo". Se você teve uma mãe que faleceu com câncer de mama aos 80 anos e chega para o médico, aos 40 anos, dizendo que quer tirar as mamas, está errada. Não há nenhuma justificativa ou indicação para isso. Ou, então, uma mulher que vai atrás de testes genéticos. São exames caros e não devem ser feitos sem uma indicação ideal.
Esses são dois extremos, e cabe a nós, que temos o conhecimento, informar quais situações particulares terão indicação de fazer o teste genético, por exemplo. Porque existe toda uma gama de serviços, de interesses econômicos de quem vende o teste, do laboratório que realiza o exame, do cirurgião que opera, do cirurgião plástico que reconstrói a mama. Se a mulher encontra um cirurgião inescrupuloso, ele vai fazer a mastectomia, porque ela chegou de livre e espontânea vontade. É igual a colocar uma prótese de silicone. Esse equilíbrio entre a necessidade e a realização é o que temos que buscar.

Até porque não é uma cirurgia tão simples assim como pareceu. Ela tem uma série de riscos. Existem casos inclusive em que se têm que tirar as mamas e os ovários?

Oliveira: Exatamente, não é uma cirurgia simples. Mas também não é necessário retirar os ovários só porque a mulher realizou uma mastectomia. Essas são duas ações de prevenção quaternária, vamos chamá-las assim. Há mulheres que podem fazer essa prevenção tirando os ovários, pois previnem tanto o câncer de ovário como o câncer de mama. A retirada dos ovários chega a prevenir algo em torno de 60 a 70% a possibilidade de câncer de mama. Já a retirada da mama chega a prevenir até 95% a possibilidade de se vir a ter a doença. Mas não se faz as duas coisas habitualmente. No caso da Angelina Jolie, ela fez as duas coisas porque tem as duas mutações genéticas.
Esse tipo de pensamento pode levar a coisas absurdas como: se eu retirar um pulmão, eu reduzo o risco de câncer de pulmão em 50%. Esse é um pensamento jocoso, mas os raciocínios são inúmeros. Para uma mulher jovem, tirar os ovários significa entrar na menopausa, com toda a perda da qualidade de vida que o hormônio pode dar. Existem várias mulheres ainda na idade fértil que estão fazendo essa opção pelo medo de ter alguma doença no futuro.

De certa forma, elas não estão avaliando o risco total de outros problemas.

Oliveira: Sim. Elas podem ter outros problemas como riscos cardiovasculares, osteoporose; tudo isso pode ocorrer quando você tira os ovários precocemente. Você reduz um risco e aumenta outro. Outra coisa não abordada é que ela pode ter até 80% de chance de desenvolver um câncer de mama. Isso varia de 40 a 80%. É o chamado risco acumulado se ela sobreviver até os 80 anos. O risco é cumulativo. Quanto mais você vive, maior é o risco de você ter câncer.

Então, no caso da atriz, como ela retirou as mamas, conquistou 87% de não desenvolver o risco da doença nesse local. Mas esse risco, de qualquer maneira, aumenta com o avançar da idade.

Oliveira: Ela conquistou 95% de não ter a doença, mas não necessariamente esses 5% vão aumentar conforme ela for envelhecendo. É importante ressaltar aqui que nada é 100%. Até porque você tem descrito casos de mulheres que fizeram essa cirurgia e, depois, tiveram câncer de mama. É impossível, cirurgicamente, retirar 100% de todo o tecido mamário. E ainda há raros casos de pessoas que podem ter câncer nos gânglios ou de ter metástases (formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra, mas sem continuidade entre as duas). Não existe isso de 100% de segurança de que a mulher não vai ter nunca a doença.
Até por ser uma pessoa pública como a Angelina Jolie é, ela beira a imortalidade. Então, quando você faz essa opção, você está pensando que não vai morrer de câncer de mama, mas ela pode morrer de outra coisa. Ela está se prevenindo de uma coisa apenas. Mas pode ter outro câncer em outro local. Também há essa questão de você querer controlar a natureza.

O senhor é favorável ao procedimento?

Oliveira: Eu sou favorável. Eu faço essa cirurgia seis vezes ao ano. É muito raro, difícil e apenas com uma indicação extremamente precisa. É importante ressaltar que essa cirurgia não é indicada pelo médico. Normalmente, é a paciente que decide o momento exato. A gente só corrobora a indicação, a oportunidade, o aconselhamento genético, a testagem genética. Não é imperativo. Mas existem mulheres que chegam demandando a cirurgia porque têm uma prima jovem com câncer de mama, uma irmã falecida com câncer de mama, têm uma mãe com a doença. Elas ficam com muito medo de ser o próximo caso e acabam optando por fazer a testagem genética, o aconselhamento genético e terminam na cirurgia, o que é super válido. Pode ser a diferença entre salvar uma vida ou não. É inadmissível fazer essa cirurgia sem cumprir todas essas etapas que já citei aqui.

E a cirurgia em si, como ela é feita? Angelina Jolie fez em três etapas.

Oliveira: A cirurgia que a gente chama de redução de risco, a mastectomia redutora de risco, não é simples como colocar uma prótese de mama para ganhar volume. É uma cirurgia muito complexa, podendo chegar a 5% de riscos de infecção, necrose e até perda do mamilo. Mas isso varia com a idade, se a pessoa é fumante, se é gorda ou magra, o tipo de pele, de circulação, uso de medicamentos. Por isso, a cirurgia, na maioria dos casos, ocorre em duas etapas, podendo chegar a três. Você tira a glândula mamária e, às vezes, coloca uma prótese provisória para expandir a pele e a musculatura. Depois de 4 a 6 semanas, você retira esse expansor e coloca a prótese definitiva. Parece que a Angelina Jolie fez uma cirurgia prévia de aumento da vascularização, mas têm pessoas que precisam de uma terceira cirurgia. Os riscos são muitos: isquemia, falta de circulação, necrose, e a mulher pode até precisar fazer reparos ou preenchimentos estéticos nas mamas. A mulher tem de estar consciente de tudo isso e que não é um procedimento simples.

É fundamental acompanhamentos médico e psicológico nessas horas.

Oliveira: Sim, de médicos e psicólogos porque podem haver impactos. Quando ocorre tudo bem – ocorre em 90% das vezes –, é ótimo. Mas quando não ocorre, há um preço elevado a se pagar, com a realização de várias cirurgias. É fundamental bom senso e cautela.

Existe algum perfil ideal para se tomar essa atitude?

Oliveira: A gente fala que a idade ideal de quando se decide fazer isso é entre 30 e 40 anos, pela frequência da doença nessa fase, que pode ser maior nessas pacientes que a gente chama de mutantes, que é esse grupo muito pequeno portador dos genes BRCA 1 e 2, e que, às vezes, já tem filhos. Então, essa mulher que já tem entre 35 e 40 anos, com a prole completa, pode fazer a cirurgia. Até porque, para essas mulheres, mesmo mutantes em uma idade mais tardia, a cirurgia tem menos impacto, porque elas têm menos chance de desenvolver um câncer genético familiar. Ela pode desenvolver o câncer esporádico, como costumamos chamar, mas o genético familiar em uma mulher de 60 anos é menor.

Foto: Brandy Gill, CRDAMC PAO
Então, a faixa crítica para as mulheres fica entre 30 e 40 anos?

Oliveira: Porque esse grupo de pacientes mutantes tem esse câncer de mama mais jovem, por causa dessa mutação. Para prevenir de fato, tem que fazer a cirurgia nessa fase. Não adianta pensar em fazer isso aos 60 anos. É importante enfatizar isso para demover algumas mulheres que chegam aos 55/60 querendo fazer essa cirurgia, portadoras ou não da mutação. E temos que lembrar que existem outros meios de prevenção.
Hoje, existe a quimioprevenção, que é o remédio que você toma. Você pode tomar um remédio com muito menos efeito agressivo para reduzir o risco. Isso é uma prevenção para quem ainda não desenvolveu a doença. O remédio, por acaso, é parecido com o indicado para quem já teve a doença. Você usa o medicamento para fazer um bloqueio hormonal quando a paciente ainda não desenvolveu a doença. Agora, eu tenho mulheres muito satisfeitas porque fizeram a cirurgia. Outro dia, uma delas me disse que “tirou uma bigorna do peito” pela pressão, pelo medo de ficar fazendo exames periódicos recorrentes, sempre na expectativa de, no próximo exame, aparecer o câncer de mama.
O último caso que fiz foi de uma médica cuja mãe conviveu durante 12 anos com câncer de mama e acabou falecendo. Essa paciente fez uma mamografia, descobriu umas calcificações, fez uma biópsia, encontrou uma lesão precursora, que nem é o caso específico da mutação. Mas ela chegou e quis fazer a cirurgia. E ficou muito feliz de fazer a prevenção, porque estava impactada com a morte recente da mãe e com o diagnóstico de uma lesão precursora na mama por meio de uma biopsia, que já é diferente da genética. No caso da genética, você nem tem a doença ou uma lesão precursora, mas essa mulher tem uma grande chance, em dez anos, de desenvolver a doença. São situações não exatamente iguais, mas sim situações de maior risco.

Então, existem casos em que se pode fazer essa opção independente da mutação genética.

Oliveira: Existem casos sim, e esses são os melhores exemplos, quando a pessoa é portadora de lesões precursoras de câncer de mama.

A mulher pode fazer essa opção também quando, ao longo dos anos, detectou vários nódulos benignos, até que um dia ele pode evoluir para algo pior?

Oliveira: Não, isso não é uma indicação e nem deve ser cogitado. Esse é o caso do maior número de pacientes que demandam esse tipo de cirurgia. São pacientes que não têm "nada", ou seja, nódulos benignos que são muito comuns em mulheres. Cerca de 50% das mulheres têm nódulos benignos e ficam fazendo acompanhamento. E, nesses casos, fazemos apenas o acompanhamento se ela não tem risco familiar, lesão percursora etc. Ninguém faz essa cirurgia porque tem vários nódulos há muitos anos.
É importante desmistificar isso, porque a demanda vai por esse viés. “Ah, eu vou todo ano no mastologista, tenho inúmeros nódulos, cistos, faço pulsão, biópsia e não é nada. Eu quero tirar minha mama!” Isso ocorre pelo medo de que um dia vá se transformar em algo pior. E isso raramente ocorre. Isso não é indicativo para se fazer a cirurgia. Pelo contrário. As indicações para cirurgia são muito precisas, e só um médico mastologista, um oncogeneticista e a testagem genética podem definir.

No nosso país, e também lá fora, essa testagem genética é muito cara. Nós estamos limitados a um grupo muito pequeno da população que pode chegar a fazer esse tipo de exame, porque o SUS não cobre.

Oliveira: No SUS, isso é muito restrito. Só se faz em altos estudos e pesquisas com famílias de alto risco, do contrário não se faz e nem tem que fazer. A anamnese é fundamental nesse processo todo. Por meio da anamnese, você sabe se sua mãe teve câncer de mama, a sua história familiar e pessoal. Quando, às vezes, a mulher tem uma forte história de câncer na família, ela já tem, epidemiologicamente falando, uma história familiar de risco para câncer. Não significa que ela seja de alto risco, porque aí é um subgrupo específico. Essa mulher pode ser candidata, inicialmente, a um aconselhamento genético, pelo mastologista, pelo oncogeneticista clínico. Se você identifica que ela tem chances de ser portadora da mutação, você vai indicar a testagem genética.

Ninguém pode chegar à Atenção Primária e pedir para fazer testagem genética do câncer de mama. Primeiro, vai ter uma análise de riscos. E vai ter uma série de testes epidemiológicos para se avaliar o risco por meio de perguntas e respostas, tais como: idade que teve o primeiro filho, se amamentou a criança, a idade da menarca, da menopausa, se tomou ou não hormônio. Isso deve ser utilizado pelo clínico, pelo ginecologista, pelo mastologista, e quando você detecta uma situação de risco, pode-se, quando indicado, mandar essa paciente para o aconselhamento genético, que, no nosso meio, é muito restrito. E só em centros especializados, como o Inca (RJ), o AC Camargo (SP) ou as universidades. A gente não tem isso no sistema público de saúde, e talvez, para o nosso momento, seja prematuro ter. Mas, no futuro, eu creio que teremos tal teste. Temos que deixar bem claro que só 5% de todos os casos de câncer de mama estão ligados a essas mutações; 95% dos casos não têm isso.

Hoje, temos uma série de formas para detectar que uma mulher possa vir a ter um câncer de mama, por exemplo, mas ele continua sendo o que mais mata mulheres no Brasil. O que está faltando?

Oliveira: Acesso. Eu penso que a própria fase de culpabilidade da mulher já passou. Aquela fase de achar que a mulher não se examina, não procura um médico terminou. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) tem um dado importante, mostrando que, nos centros urbanos, 65% das mulheres vão ao ginecologista e fazem mamografia. Mas é lógico que você está misturando os sistemas público e privado. De qualquer forma, no passado, falava-se que a mulher tinha medo do câncer de mama, medo do diagnóstico, da doença, da mutilação, e isso a gente gradualmente veio mudando na sociedade brasileira, exceto no grupo de exclusão social mesmo. Ainda assim, no Brasil como um todo, mesmo nos melhores lugares de cobertura para essa mulher que é candidata ao exame periódico, aquela em torno de 40/50 anos para cima, menos de 30% delas são examinadas regulamente. Esse número pode ser um pouco maior ou menor de acordo com a região e com a oferta de serviço. Por isso que o diagnóstico no país é tardio, e há essa dificuldade de acesso.

Hoje, temos muitas campanhas de conscientização para ressaltar a importância do autoexame das mamas, das consultas médicas, por meio de rádio e televisão, e isso ajuda bastante. O componente de informação para a mulher é razoavelmente bom. O problema é que ela tem muita dificuldade de ter acesso a consultas e exames, a uma mamografia, e esse é nosso maior problema.

O que falta mesmo é o acesso. É termos uma rede preparada inclusive para atender mulheres já diagnosticadas com a doença.

Oliveira: Verdade. Esse é outro problema. As mulheres hoje já com diagnóstico da doença demoram a ser atendidas, e foi preciso uma lei específica para mudar isso. As mulheres demoram meses, às vezes, para serem operadas, para fazerem uma radioterapia; agora, com essa nova lei, esse processo não pode passar de 60 dias. Você consegue imaginar como fica a cabeça de uma mulher como essa, já diagnosticada com a doença e demorando para fazer o tratamento? Temos que reverter esse quadro.

Da Agência Fiocruz

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Pesquisa mostra que mulheres são mais sedentárias

Foto: Lululemon Athletica

O sedentarismo é um dos principais causadores de doenças cardiovasculares e já atinge mais da metade dos brasileiros.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ZI-yBeLLbEo]

Da EBC

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Câncer de mama: prevenção é o melhor remédio

Em maio de 2013 o mundo ficou chocado quando a atriz americana Angelina Jolie anunciou a realização da dupla mastectomia (retirada das mamas) preventiva para reduzir o risco elevado de câncer. Mas o que é verdade e o que é mito na necessidade de tal procedimento cirúrgico? Todas as mulheres, quando diagnosticadas com a doença ou com a possibilidade de vir a tê-la, são indicadas para realizar a cirurgia? Para esclarecer tais questões, conversamos com o pesquisador e coordenador do Programa de Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Sergio Koifman. O pesquisador aborda mais o lado genético do “caso Angelina Jolie”, concentrando explicações mais científicas acerca da doença, das reais indicações para uma mulher fazer ou não mastectomia, dos fatores ambientais relacionados com o surgimento, cada vez mais precoce, de cânceres em mulheres e do papel do SUS nesta história. Para o especialista, o sistema de saúde precisa agir mais na prevenção e não apenas na resolução do problema. O entrevistado enfatiza que é necessário ampliar o acesso das mulheres para o diagnóstico precoce.

A partir do “caso Angelina Jolie”, o objetivo é esclarecer mitos e verdades sobre o procedimento que ela realizou. A principal questão é: todas as mulheres são indicadas para a retirada das mamas?

Sergio Koifman: A primeira coisa importante que precisamos esclarecer é que existe um grupo pequeno, em torno de 5% a 7% dos casos de câncer de mama em mulheres, que está nesse grupo do qual a Angelina Jolie faz parte. É um grupo pequeno de famílias com alto risco de casos de câncer em parentes de primeiro grau, como o caso dela em que a mãe e tia tiveram a doença. São casos de câncer que acontecem em gerações sucessivas. Pelo menos 93% dos casos de câncer não se enquadram nessa situação.

E como é conhecido esse fenômeno?

Koifman: Esse fenômeno se chama agregação familiar. São mulheres que têm parentes de primeiro grau, mães, irmãs ou filhos diagnosticados com câncer de mama em duas ou mais gerações e câncer de próstata em homens, em ambos os casos em pessoas com menos de 50 anos. Essas são algumas condições que configuram alto risco de desenvolvimento, não só de câncer de mama, mas de ovários. Hoje, sabe-se que a doença pode ocorrer também no pâncreas ou estômago. E têm se identificado as mutações em genes (BRCA 1 e BRCA 2) associados a essa ocorrência familiar. Ou seja, dado que existe a mutação, o risco para desenvolver a doença é aumentado.

Então, podemos afirmar que o caso dela é limitado a um determinado grupo de mulheres.

Koifman: Exatamente. A grande maioria dos casos do câncer de mama não é com esses genes. São genes com pouca expressão e baixa penetrância. Existem síndromes que agrupam esses casos em que mãe/irmã desenvolveram câncer de mama e/ou ovário, e de parentes do sexo masculino com câncer de mama e/ou próstata. Analisando uma história familiar, você já sabe que aquela pessoa é de alto risco e nem precisaria fazer um teste mais caro. Por exemplo, se uma pessoa revela que sua mãe teve câncer de mama, a irmã teve câncer de ovário e o irmão teve câncer de próstata, não preciso fazer um teste genético. Sei que essa pessoa, suas filhas e filhos precisam ser acompanhados mais de perto, porque possuem um risco muito elevado para desenvolver a doença.

Se a pessoa tem essa mutação no organismo, significa que obrigatoriamente terá câncer?

Koifman: Não é bem assim. Nesses casos de agregação familiar, não basta apenas ter mutação para desenvolver a doença. Você precisa uma ação conjugada de interação com fatores ambientais. Então, a presença de tais fatores pode tanto acelerar como retardar o aparecimento do câncer em famílias de altíssimo risco. Estou apenas me referindo ao pequeno grupo de 5% a 7%.
E como sabemos? Isso existe na literatura científica e inclusive já estudamos essa questão de câncer em famílias de alto risco no Brasil. Percebemos que, ao longo das gerações, avós, mães e filhas com alto risco de câncer de mama estão apresentando uma diminuição na idade do diagnóstico de mais ou menos sete anos por geração. Por exemplo, as avós são diagnosticadas aos 55 anos, as mães, aos 48, e as filhas, aos 40. Isso sugere que a mutação é a mesma, mas fatores ambientais vêm estimulando um start mais precoce da doença.

Existem outras evidências para corroborar a questão?

Koifman: A outra evidência vai no sentido oposto a isso. Esse tipo de agregação familiar foi inicialmente estudado em mulheres judias na Europa oriental, pois elas têm uma alta frequência de agregações de alguns desses genes (BRCA 1 e BRCA 2). Mulheres da Polônia, Rússia e Eslováquia possuem níveis de incidência de câncer de mama mais elevados do que a população em geral, por conta da presença dessas mutações. Quando imigraram para outros países, suas descendentes continuaram com esses genes. Então, as imigrantes nos Estados Unidos, Argentina, França e Israel continuaram tendo suas filhas com níveis mais altos de câncer de mama, mas no Brasil não.
Essas mulheres que migraram para o Brasil não tiveram tanto câncer de mama. Então, fizemos uma análise para comprovar isso. Mães e filhas estudadas em Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP) que carregam essa mutação não tiveram o start para desenvolver a doença. E pesquisamos o motivo. Elas continuaram tendo um grande número de filhos, mais do que a média população brasileira, e, durante a amamentação, mudaram radicalmente os hábitos alimentares, incluindo feijão e frutas e reduzindo a alimentação animal. São famílias de alto risco, mas o ambiente, provavelmente protetor, impedia o start.
Agora, nas novas gerações que carregam as mesmas mutações, mas que não estão tendo filhos, que não estão amamentando, é provável que volte a aumentar. Então, nunca podemos separar tal contribuição genética que, nessas mulheres, é fortíssima com a questão ambiental. E, nesse caso, estou falando de estilo de vida, de alimentação, de atividade física etc.

Qual é a conduta que se preconiza para as mulheres dessas famílias de alto risco?

Koifman: Elas precisam fazer avaliações com maior frequência. Os riscos são maiores, claro, do que a população geral. Então, consequentemente, elas devem acompanhar mais de perto sua saúde.

Foto: Gage Skidmore
No caso da Angelina Jolie, a retirada da mama é 100% eficaz para evitar a doença?

Koifman: Não. Ela fez uma mastectomia bilateral (nome da cirurgia de remoção completa das mamas). Houve uma redução importante do risco, mas ela continua com ele. Mesmo com essa redução, alguma parte do tecido mamário é preservada, e o câncer surge de uma única célula. Ela precisa ser acompanhada, pois não está 100% curada. Não é isso o que ocorre. Ela apenas tem um risco bem reduzido para vir a desenvolver a doença. Numa cirurgia desse tipo, não se tira tudo. Não é como uma amputação de alguma parte do corpo.
Há mulheres que não aceitam viver com essa “espada” sobre a cabeça. Elas querem tirar tudo – mamas e ovários. Agora, existem mulheres que não aceitam retirar as mamas ou fazer outro tipo de procedimento porque é muito radical. Não é algo inócuo: na reconstrução, você tem alteração de sensibilidade, não são técnicas simples.

Angelina Jolie teve de fazer a cirurgia em três etapas, porque podia perder o mamilo, ter necrose no tecido mamário ou outras complicações. Não é um procedimento simples.

Koifman: Algumas vezes, é preciso retirar musculatura do abdômen para reconstruir a mama, e isso vai alterar a prensa abdominal feminina. Ela vai ter que reaprender sua vida sexual, reaprender a defecar, porque ela não tem mais um músculo. Digo isso com o olhar do paciente. Sob a ótica da saúde pública, do Sistema Único de Saúde, acredito ser importante pensar na oferta de serviços, de se fazer um diagnóstico precoce, de acompanhar essas pacientes sem perder de vista que estamos falando de um caso muito particular em um grupo muito limitado.

Muito do que foi divulgado faz parecer que qualquer mulher é passível de uma cirurgia dessas.

Koifman: É importante desmistificarmos isso. Esse tipo de procedimento não é para qualquer mulher. E mesmo no caso da Angelina Jolie, o procedimento dela não acabou com o câncer. Ela reduziu muito o risco de desenvolver a doença, mas terá de continuar com acompanhamento médico pelo resto da vida. E não só ela, mas suas filhas e seus filhos também.

Numa cirurgia dessas, não se faz a retirada dos linfonodos (ou gânglios linfáticos, que são pequenos órgãos perfurados por canais que existem em diversos pontos da rede linfática, uma rede de ductos que faz parte do sistema linfático. Eles atuam na defesa do organismo humano e produzem anticorpos)?

Koifman: De fato, na mastectomia bilateral profilatica não se retiram os linfonodos. Quando o câncer já foi detectado, entretanto, a opção de retirada de linfonodos vai depender de cada caso. Hoje, existe uma técnica para analisar a cadeia de linfonodos. Pega-se o primeiro da cadeia. Se ele não está com células tumorais, não se mexe no resto. Se ele está, é preciso retirar até onde estiver o problema. Mas, com isso, surgem outros problemas, como o linfedema no braço (uma situação de inchaço duradouro que pode ocorrer na mão ou braço como resultado de uma cirurgia em que, para além da retirada da mama, também se retiram os gânglios linfáticos das axilas e/ou da radioterapia).

Então, a cirurgia não é um procedimento necessário. Ela é uma das alternativas.

Koifman: Ela é uma das alternativas para um grupo muito reduzido e cujos resultados não são necessariamente indispensáveis para que se tome uma decisão. Se uma paciente me apresenta uma história como: minha mãe teve câncer, minha irmã tem a doença, eu diria que ela é de alto risco e não precisa fazer o teste genético. Precisará ser acompanhada a cada seis meses, fazer exames clínicos periodicamente, mamografias e ressonância magnética.

O SUS faz esse procedimento em casos extremos ou não?

Koifman: Depende da orientação. Isso ainda não está normatizado em nosso sistema. Mas não vejo como uma coisa impossível. Fazemos cirurgia de mudança de sexo. Então, do ponto de vista de relevância, não é uma coisa que o SUS não possa pensar, por exemplo. Agora, isso é o final da história. O acesso ao diagnóstico precoce, o acompanhamento clínico e psicológico desse grupo reduzido e de seus familiares, a criação de ambulatórios de alto risco de câncer pelo país, tudo isso é fundamental. Não precisa ser só para câncer de mama e ovário. Existem famílias com alto risco de outros tipos de câncer, melanoma, por exemplo. São famílias que precisam ser acompanhadas de perto. Além disso, temos outra prioridade: diminuir o tempo de espera de consultas, de exames e de procedimentos/tratamentos para a população. Esse é um dos nossos grandes problemas.

Até que ponto o SUS está preparado para tudo isso? Ele pode oferecer esse teste genético?

Koifman: O SUS não está preparado e é em cima disso que precisamos trabalhar. Penso que podemos ser otimistas, porque isso é um fenômeno não de recursos, mas de organização. O SUS tem um padrão de contradições incríveis. Temos um dos melhores sistemas de transplante do mundo, que é algo dificílimo de montar, e coisas básicas, como acompanhamento de diabetes, hipertensão e cirurgia ortopédica, não funcionam. São Paulo tem fila zero para transplante de córneas. Não é uma questão de grandes investimentos. Você precisa ter grandes profissionais, médicos, geneticistas, biólogos, psicólogos, papel e lápis para atender à população.
Como expliquei, o caso da Angelina Jolie é bem específico. O que oferece o teste pago por ela? Apenas constata a presença de algumas mutações genéticas, mas não de todas. Mas, conhecendo a história pessoal da mulher, não preciso do teste. Ele não vai mudar nada, e esse é um terreno de debate. Há médicos que recomendam o procedimento de mastectomia bilateral, outros não. Mas não preciso do teste para saber que a paciente é de alto risco e que tenho de acompanhá-la para sempre. O essencial não é ter o teste, mas sim ter acesso ao diagnóstico precoce, à oferta de serviços, até termos o teste num futuro. É nisso que o SUS precisa se basear.
O teste é muito caro, mas deve baratear com a massificação. No entanto, o teste, essencialmente, não muda, na minha visão, a orientação que se deve dar nesses casos. Não existe “eu estou curada”. Com a história familiar, infelizmente, a mulher, as filhas e os filhos terão de continuar convivendo com o acompanhamento. É a mesma coisa para uma pessoa que tenha um aneurisma que seja inacessível, ou seja, precisa ter um acompanhamento constante, e o SUS deve estar preparado para isso.

Foto: Haroldo Abrantes/SECOM Governo da Bahia
O senhor falou sobre o acompanhamento dessas famílias. Entre os tipos de câncer nas mulheres, o de mama é a principal causa de morte dessa doença no Brasil.

Koifman: O acompanhamento é essencial. A maior detecção da doença é na pós-menopausa, mas se observa um aparente aumento de casos chamados esporádicos em mulheres jovens. Antes dos 35-40 anos, de uma maneira geral, o câncer de mama ocorre nesse grupo de 5% a 7%. Casos esporádicos, que são aqueles sem histórico familiar da doença, não eram descritos nessa faixa tão jovem e, agora, estão começando a ser observados não só no Brasil, mas nos Estados Unidos e na China. Isso é uma coisa nova.
Alguma coisa mudou no ambiente, porque é a mesma doença, mas mudou ou vem mudando, e não nos dias de hoje, mas há duas, três décadas. Podem ser exposições químicas, exposições a substâncias que mimetizam hormônios. Temos vários produtos químicos utilizados em plásticos, solventes que têm essas características, agrotóxicos que vêm estimulando a doença ou falsos hormônios com uma ação que simula a presença de estrogênio, que é o principal fator de risco conhecido para câncer de mama.
Então, vem se observando um aparente aumento de câncer de mama em mulheres jovens sem história familiar. A questão é essa. Os casos ocorrem sem história familiar e nos países industrializados. É uma mudança de padrão que estamos vivendo nos dias de hoje. Temos ainda os casos que não são diagnosticados. Quando vemos uma mulher de pouco mais de 20 anos, jamais pensamos que ela tem câncer de mama. Ela pode ter um nódulo. Ela não pensa no problema. O médico também não pensava, mas isso está mudando. Um dos grandes obstáculos, até muito pouco tempo, é que não se pensava que uma moça de 30 anos estaria com câncer de mama.

Dados do Inca revelam que 22% dos casos de câncer feminino no Brasil são de mama e são 52 mil novos casos por ano, em média. Esse aumento de casos tem a ver com o meio ambiente, estilo de vida brasileiro?

Koifman: Não tenho como afirmar, mas é o que suspeitamos. Nos Estados Unidos, há um aumento de 4% ao ano de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos. Estamos vivenciando isso no Brasil, em algumas cidades como Goiânia, por exemplo. Não é um fenômeno isolado. Outra característica nessa faixa jovem não é um fenômeno de diagnóstico precoce, porque não se faz mamografia numa mulher com menos de 40 anos, porque a mama é densa. Isso não é indicado. Hoje, mulheres de 30 anos já aparecem com nódulos nos seios e não se pode mais dizer que isso não tem importância. Existem mulheres de 28 anos com câncer e que precisaram fazer mastectomia. Isso, há 40 anos, era uma raridade.

Mulheres que desenvolvem nódulos benignos com grande frequência já são incluídas no grupo de risco?

Koifman: Elas podem, em algum momento, apresentar alterações celulares que levem ao desenvolvimento de um câncer. Essas estratégias, do ponto de vista de saúde pública, são muito limitadas. Estamos ainda correndo muito para um tratamento mutilante, e não uma prevenção. Não se avançou na prevenção ao câncer de mama. Estamos muito aquém do ideal e não estamos pensando em como impedir o start da doença. Trabalhamos apenas no final dessa cadeia, quando a doença já está instalada, e também de uma força que não é totalmente resolutiva.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se pronunciou sobre o “efeito Angelina Jolie”. Ele não viu isso de uma forma positiva. Segundo ele, “vários estudos mostram um número grande das mastectomias realizadas, em que depois se afastou o risco”.

Koifman: Isso tem de ser muito bem informado. Não é uma cirurgia plástica, como retirar uma verruga. É uma mutilação física importante, com efeitos importantes. A pessoa precisa estar preparada, inclusive se preparar psicologicamente antes, durante e depois de todo o procedimento. Não é uma cirurgia banal. No caso da retirada dos ovários, existem ainda efeitos piores para a mulher. A pele resseca, muda a estrutura hormonal feminina, há a menopausa precoce. É extremamente radical.

Nesses casos específicos, a retirada das mamas é acompanhada da dos ovários?
Koifman: Não necessariamente, mas ele é um alimentador potencial para a doença. De certa maneira, a retirada dos ovários tem uma repercussão muito maior, resultando no envelhecimento precoce da mulher. No caso da Angelina Jolie, que também vai retirar os ovários, eu não sei exatamente quais são todas as mutações genéticas dela, mas ela corre o risco de desenvolver câncer de pâncreas, por exemplo, que não pode ser retirado, de estômago, de leucemia. Não são apenas mamas e ovários. Claro que, nas mamas, são os mais frequentes, mas existem outros problemas que podem ocorrer. Ela precisa ser acompanhada para sempre. Ela diminuiu o risco com a retirada de uma massa de células capazes de desenvolver a doença.

Ela reduziu de 87% para 5% o risco da doença. Esse número é real?

Koifman: Isso é baseado em estatísticas de casos familiares. Dado que a mãe e a tia tiveram câncer de mama, qual o risco de uma paciente ter a doença aos 40, 50, 60 anos? Com o avançar da idade, esse risco aumenta, mas sempre será menor do que o risco original. Agora, o fato de ser menor não modifica a necessidade desse acompanhamento permanente. Ela se sente melhor assim, pelo menos por enquanto. Eu já vi as duas situações. De mulheres que não suportam a ideia de fazer a cirurgia e pessoas que não suportam a ideia de conviver com o medo.

Ela é uma pessoa que tem condições financeiras de arcar com todos esses procedimentos. Mas vivemos num país com 200 milhões de habitantes, em que a grande maioria não pode pensar nesse tipo de ação.

Koifman: São duas coisas. O que é prioridade para o SUS? Eu penso que são acesso, diagnóstico precoce e início imediato de tratamento. Precisamos de locais para isso. Precisamos melhorar o acesso. Isso é um aspecto importante. Outra coisa é ter a visão de que o teste não é uma panaceia. Se uma mulher tem a mãe e uma irmã com câncer de mama, mas seu teste deu negativo, ela não pode relaxar. Com esse histórico familiar, ela continua tendo de ser acompanhada. Não importa o resultado do teste, porque o percentual de casos de agregação familiar que são explicados por essas mutações conhecidas é pequeno. São cerca de 30% a 40% apenas. Há 60% de casos familiares em que não se conhece o gene envolvido no problema. Assim, a necessidade de acompanhamento é fundamental.
Então, para o SUS, o que é importante? Acesso. Acabar com as filas. Essa nova lei de que, uma vez diagnosticado o câncer, o paciente precisa ser tratado em, no máximo, dois meses é fundamental e um grande avanço. Isso está certo. Não sei como será feito, mas é o caminho. Não é uma coisa cara para o país organizar ambulatórios de alto risco de câncer. Todo hospital pode ter isso. A cirurgia da mastectomia bilateral profilática não é necessariamente a alternativa para todas as mulheres.

Foto: Paul Falardeau
Da Agência Fiocruz

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Pesquisa mostra que 44% dos homens nunca foram ao urologista

Foto: Jorge Jesus
Pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com 5 mil homens revela que 44% dos entrevistados nunca foram a uma consulta com um urologista nem fazem exames preventivos. “Isso é o retrato de como a gente cuida da própria saúde”, analisou hoje (11) o diretor da SBU, Henrique Rodrigues. O levantamento foi feito em seis capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Brasília.

A pesquisa mostra que 47% dos homens ouvidos nunca fizeram exames para detectar o câncer de próstata. Apenas 23% fazem o exame anualmente. “Não é uma exclusividade do câncer de próstata. Eu acho que o grande retrato que essa pesquisa traz é que o homem brasileiro cuida mal da própria saúde”, destacou o diretor.

“O que a gente vê é uma falta de preocupação das pessoas em geral com o cuidar da própria saúde. Isso de forma mais abrangente. Não diz respeito somente a cuidar da próstata”, acrescentou Rodrigues. Ele avaliou que, apesar dos dados do levantamento, o preconceito em torno da ida ao urologista, relacionado ao exame de próstata, vem diminuindo.

A SBU defende a ampliação dos centros de Saúde do Homem com atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), visando a aumentar o acesso da parcela masculina da população aos exames para diagnóstico de câncer de próstata. Rodrigues disse que os ambulatórios de urologia dos hospitais ligados ao SUS estão preparados para fazer esse tipo de exame. “A nossa luta é para ampliar o acesso. Ele já existe, mas não consegue atender à demanda de pacientes que necessitam desse exame”.

A pesquisa mostra também que 51% dos entrevistados nunca fizeram exames para aferir os níveis de testosterona (hormônio masculino) no sangue e que somente 37% disseram saber o que é a andropausa, período que tem início por volta dos 50 anos e é caracterizado pela redução dos níveis hormonais.

Henrique Rodrigues disse que a andropausa constitui um foco de interesse da SBU, porque a deficiência de hormônios no homem tem uma série de consequências que não estão relacionadas necessariamente à parte sexual. Os homens que apresentam baixa da testosterona têm, por exemplo, aumento do percentual de gordura na composição do corpo e redução da massa muscular e do vigor físico, bem como da capacidade de concentração. Também sofrem aumento da irritabilidade e têm alterações do sono.

Rodrigues destacou que a incidência de homens que precisam de reposição hormonal vai aumentando à medida que eles vão ficando mais velhos. Por isso, a necessidade de procurar um tratamento adequado. “O nosso corpo não é compartimentado. Existe uma correlação grande entre todos os órgãos. O nível de testosterona é importante para vários sistemas”. De acordo com a pesquisa, somente 24% dos homens entrevistados sabem que existe o tratamento com reposição hormonal para controlar os níveis de testosterona.

Para conscientizar os homens sobre a importância do cuidado com a saúde e da prevenção de doenças, a SBU e a Bayer do Brasil farão um mutirão a partir do dia 15, quando se comemora o Dia Nacional do Homem, na Estação Sé do metrô, em São Paulo. A entidade busca também, no Congresso Nacional, criar uma frente parlamentar para atuar na área de saúde do homem, de modo a ampliar esse serviço no país.

Da Agência Brasil

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Mais de 30% da população feminina pode sofrer de infecção urinária de repetição

Quase 80% das mulheres terão algum episódio de infecção urinária na vida, e cerca de 1/3 delas pode desenvolver infecção urinária de repetição, que é caracterizada quando a paciente teve ao menos dois episódios nos últimos seis meses ou três infecções durante o ano. O alerta é do Centro de Referência em Saúde do Homem, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo gerenciada em parceria com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), na capital paulista, que também atende ao público feminino.  

Segundo o urologista Marcelo Pitelli, filhas de mulheres com infecção urinária de repetição têm mais chance de desenvolver a doença.

A infecção urinária é mais comum entre mulheres, pois a uretra do aparelho genital feminino é mais curta e mais próxima do ânus do que a dos homens, o que possibilita a passagem de bactérias do ânus para a vagina.

Outros fatores de risco também envolvem alterações da flora vaginal como gestação, questões hormonais, diabetes, imunodepressão e fatores genéticos. Além das doenças crônicas, a atividade sexual intensa pode aumentar as chances de desenvolver infecção urinária.

Os principais sintomas da infecção urinária são ardência e dor ao urinar, dor na região mais baixa do abdome, aumento do ritmo para urinar, sangue e odor fétido na urina. Nas mulheres com diabetes, os sintomas podem não aparecer.

“É necessário que, ao perceber esses sinais, a mulher procure um urologista para ter diagnóstico adequado, pois a infecção urinária de repetição tem tratamento”, explica o médico do centro estadual. O médico ainda reitera que, quando a infecção urinária não é tratada corretamente, as bactérias podem subir para o rim e gerar várias complicações como infecção generalizada, que pode levar a óbito.

Cuidados para evitar a infecção urinária em mulheres:

- Aumentar a ingestão de água todos os dias (pelo menos 1,5 litro diariamente).

- Ao higienizar a vulva e região perianal, limpar sempre no sentido da frente para trás com objetivo de evitar que bactérias passem do ânus para a vagina.

- Cuidar da alimentação para evitar a constipação (prisão de ventre). A probabilidade de contaminar as fezes com a urina pode ser maior nesses casos.

- Evitar manter a bexiga cheia e urinar pelo menos de quatro em quatro horas (exceto durante a noite).

- Higienizar a área genital antes da atividade sexual. Depois da relação, procurar urinar para expulsar as bactérias que possivelmente tenham penetrado na uretra e na bexiga.

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Anvisa proíbe venda de chá e emagrecedores

Foto: Reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a distribuição e venda do chá misto solúvel Funchinane, por conter substâncias não permitidas para chás. A decisão foi divulgada hoje (12) no Diário Oficial da União.

Produzido pela empresa Naturelife, o chá contém maltodextrina (carboidrato que aumenta energia muscular), sucralose (adoçante) e dióxido de silício – todas substâncias proibidas para chás.

A comercialização dos emagrecedores Bio Waist Spirulina em cápsula e Bio Waist – Quitosana e Spirulina em cápsulas da empresa La Mata Laboratório Botânico também está proibida em todo o país. Os produtos não têm registro, segundo a agência reguladora. As medidas valem em todo o território nacional.

A reportagem tentou entrar em contato com as empresas por telefone. O número informado no site da empresa Naturelife não existe e a empresa La Mata não atendeu às ligações.

Da Agência Brasil

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