Um terço da queda do número de fumantes do país ocorreu por conta das políticas de restrição da publicidade
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| Foto: Estevo González Azañón |
Este ano a data, que faz parte do calendário da Organização Mundial da Saúde, tem como tema a proibição total da publicidade do tabaco, de acordo com o artigo 13 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. A pesquisa foi realizada com adultos fumantes e não-fumantes nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, em dois momentos: 2009, e entre 2012 e 2013. Na ocasião, serão apresentados dados que avaliam o impacto das medidas adotadas no Brasil para proibir a publicidade, promoção e patrocínio de produtos de tabaco.
A secretária executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (Conicq), Tânia Cavalcante, explica que apesar de, em dezembro de 2011, uma nova lei ter proibido a publicidade dentro dos pontos de venda (PDV), ela ainda é desrespeitada em muitos estabelecimentos do país.
“A publicidade do tabaco é proibida no Brasil, desde 2000, com exceção dos estabelecimentos onde é vendido. Além disso, qualquer tipo de publicidade exibida nos PDVs é obrigado a apresentar as advertências de saúde aprovadas pelo governo", diz a secretária. "No entanto, essa lei é desrespeitada", completa.
Os dados da pesquisa ITC, realizada com adultos fumantes e não-fumantes, indicam que a crescente restrição da publicidade e promoção de produtos de tabaco ao longo das últimas décadas no Brasil reduziu de forma significativa a percepção das propagandas desses produtos por esse grupo. Ainda assim, o nível de percepção em 2012 e 2013 ainda é significativo pois, quase um quarto dos fumantes (22,6%) e não-fumantes (24,9%) - notaram situações relacionadas a marketing de produtos de tabaco que os estimularam a fumar.
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| Foto: Hebe Aguilera |
Diretrizes do artigo 13 também recomendam embalagens genéricas para eliminar a atratividade dos maços dos produtos de tabaco. No Brasil, a exibição de pacotes de tabaco nos estabelecimentos comerciais continua a ser uma forte estratégia de marketing particularmente para atingir os jovens.
Os dados da pesquisa ITC corroboram os achados de outras pesquisas internacionais e nacionais que confirmam o efeito nocivo da propaganda para aumentar a epidemia de tabagismo, assim como o efeito positivo na redução do consumo de medidas que proíbem a propaganda, promoção e atividades de patrocínio desses produtos.
Estudo encomendado em 2008 pela Aliança de Controle do Tabagismo-Brasil (ACTbr) com pessoas entre 12 e 22 anos em seis cidades demonstrou que, quando solicitado a dizer espontaneamente quais produtos eles encontram à venda em padarias, supermercados e lojas de conveniência, o cigarro foi o segundo mais citado (42% dos entrevistados), atrás apenas dos doces. A grande maioria dos entrevistados (63%) disse que a visão de produtos derivados do tabaco exibidos nos pontos de venda pode fazê-los sentir vontade de fumar.
"O percentual dessa resposta foi mais alto entre os mais jovens e diminuiu com a idade: 71% dos entrevistados entre 12 e 14 anos; 68% entre 15 e 17 anos; e 56% entre aqueles entre 18 e 22 anos. Isso é preocupante, pois reflete a eficiência do marketing para captar o adolescente para o consumo. Quanto mais cedo começa o tabagismo, maiores são os riscos de doenças graves e fatais", destaca o diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini.
A pesquisa utilizando o modelo SimSmoke para estimar o efeito de políticas publicas na redução do tabagismo, mostrou que no Brasil, entre 1989 e 2010, as medidas adotadas resultaram em uma queda na prevalência de fumantes da ordem de 46% e que, nesse período, 420.000 mortes relacionadas ao tabaco foram evitadas. O trabalho mostrou ainda que as medidas adotadas nacionalmente para restringir a propaganda e promoção de produtos de tabaco, além da proibição de patrocínio em eventos esportivos, contribuíram com 14% dessa redução.
A pesquisa ITC Brasil é coordenada pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e no Brasil, pelo INCA, centro colaborador da OMS para o controle do tabagismo na América Latina, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça, Fundação do Câncer, ACTbr e Fiocruz. É um estudo de coorte, realizado nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, que acompanha 1.800 pessoas desde 2009, o que permite avaliar possíveis mudanças na percepção da população sobre os males causados pelo tabagismo, além do efeito da implementação de políticas. O trabalho, em duas etapas - as chamadas ondas - foi feito de abril a junho de 2009 e de outubro de 2012 a fevereiro de 2013.
Da Agência INCA



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